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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

CORRUPÇÃO E DESENVOLVIMENTO



CORRUPÇÃO E DESENVOLVIMENTO



Domingos de Gouveia Rodrigues*


*PhD em Economia, Analista de Planejamento e Orçamento e Professor de Economia Política.




1. Objetivo do Estudo


O objetivo deste estudo é identificar possíveis relações significativas entre Corrupção e Desenvolvimento.



2. Identificação das Variáveis



As variáveis estudadas são:

• Corrupção: Utilizamos o ranking de corrupção publicado pela Transparency International. O ranking vai do país mais honesto até o país mais corrupto.




• IDH – Índice de Desenvolvimento Humano: Utilizamos o ranking publicado pela UN – Human Development Report 2009. O ranking vai do país com maior desenvolvimento humano até o país com menor desenvolvimento humano.



• Felicidade: Utilizamos o ranking calculado pela Universidade de Leicester, Inglaterra. O ranking vai do país com maior percepção de felicidade (satisfação com a vida) até o país com menor percepção de felicidade.





O Quadro 1, apresentado ao final, lista, por país, os dados para as três variáveis acima.



3. Resultados a Partir do Quadro 1



• Entre os 30 países mais honestos, 16 estão também entre os 30 países mais felizes (Dinamarca, Nova Zelândia, Suécia, Finlândia, Suíça, Islândia, Países Baixos, Austrália, Canadá, Luxemburgo, Áustria, Noruega, Irlanda, Bélgica, Estados Unidos e Barbados).



• Dos 30 países mais honestos, 17 são europeus (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Suíça, Islândia, Países Baixos, Luxemburgo, Áustria, Alemanha, Noruega, Irlanda, Reino Unido, Bélgica, França, Eslovênia, Estônia e Espanha).



• Dos 30 países considerados mais honestos, apenas 3 países têm uma posição muito inferior em termos de IDH (Santa Lúcia, Uruguai e São Vicente e Granadinas).



• Dos 30 países considerados mais honestos, 12 países têm uma percepção de felicidade muito inferior à sua posição de honestidade (Cingapura, Hong-Kong (região da China), Reino Unido, Japão, Santa Lúcia, Chile, França, Uruguai, Eslovênia, Estônia e Espanha).



• Os europeus, tomados em conjunto, têm uma percepção de felicidade que é muito inferior a seu grau de desenvolvimento e a seu grau de honestidade.



• Alguns países pouco desenvolvidos têm uma alta percepção de felicidade (Bahamas, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, República Dominicana, Butão, Colômbia, Suriname, Panamá e Venezuela).



• Entre os 30 países mais corruptos, 15 países são africanos, apenas 11 estão entre os 30 países com menor IDH (República Centro-Africana, Costa do Marfim, Burundi, Gâmbia, Guiné-Bissau, Serra Leone, República Democrática do Congo, Tchad, Guiné, Sudão e Afeganistão) e apenas 8 estão entre os 30 países com menor percepção de felicidade (Bielorrússia, Costa do Marfim, Burundi, Turquemenistão, Zimbábue, República Democrática do Congo, Tchad e Sudão).



• Os Estados Unidos, maior potência mundial e décimos-terceiros em IDH, são apenas os vigésimos em honestidade e os vigésimos-terceiros em percepção de felicidade.



• A Dinamarca, apesar de ser o décimo-sexto em IDH, é o país mais honesto e também o país com maior percepção de felicidade.



• O Brasil apresenta uma posição intermediária muito próxima no ranking das três variáveis (80 em corrupção, 75 em IDH e 81 em percepção de felicidade).



Algumas características de países selecionados:


• China: assim como o Brasil, apresenta níveis intermediários de corrupção, desenvolvimento e felicidade.



• Índia: alto nível de corrupção, baixo desenvolvimento e baixa percepção de felicidade.



• Portugal: razoavelmente honesto e desenvolvido e pouco feliz.



• Coreia do Sul: níveis de desenvolvimento e corrupção muito melhores do que sua percepção de felicidade.



• Japão: honesto, muito desenvolvido e muito infeliz.



• Cingapura: baixíssima corrupção, alto desenvolvimento e boa percepção de felicidade.



• Butão: pouco desenvolvido, feliz e pouco corrupto.



• Venezuela: muito corrupto, feliz e razoavelmente desenvolvido.



• México: níveis de felicidade e desenvolvimento melhores do que o nível de corrupção.



• Argentina: elevada corrupção e razoável desenvolvimento e percepção de felicidade.



4. Testes Estatísticos de Honestidade e Desenvolvimento


Fizemos alguns testes econométricos (estatísticos) para identificar possíveis relações estatisticamente relevantes entre Corrupção (ou Honestidade) e IDH - Índice de Desenvolvimento Humano. O modelo econométrico e os resultados obtidos são apresentados abaixo. Utilizamos o software MINITAB para fazer as regressões estatísticas. A amostragem de países foi de 163 países, aqueles que têm dados para as duas variáveis, conforme o Quadro 1 abaixo.


Modelo


IDH = a + bHonestidade


Onde:




IDH: Posição no ranking de IDH, que vai do país com maior desenvolvimento humano até o país com menor desenvolvimento humano.


Honestidade: Posição no ranking de corrupção, que vai do país mais honesto até o país mais corrupto. Esperamos que quanto maior for o grau de honestidade do país, maior o grau de desenvolvimento humano do país, assumindo que os recursos serão melhor aplicados no benefício da sociedade (b>0).


5. Resultados da Regressão Econométrica




Modelo



IDH = 23,1 + 0,787 Honestidade
 "t"  (4,40)*  (15,41)*
   
R2=59,0%    R2-Ajustado= 58,7%
F=237,35*       D.W.= 1,86414

*Testes estatísticos significativos ao nível de 5%.

Como se vê pelos resultados acima, encontramos uma relação positiva significativa estatisticamente entre Honestidade e IDH. Assim, com base nos resultados da regressão econométrica, podemos inferir que:

• Países mais honestos tendem a alcançar maiores níveis de desenvolvimento humano.

6. Visão Final

Como se vê pelo Quadro 1, há uma grande amplitude de resultados no índice de corrupção/honestidade, o qual varia de 1,0 na Somália (país mais corrupto) até 9,3 na Dinamarca (país mais honesto). Assim, o que explicaria a corrupção? Há uma explicação biológica para a corrupção ou ela é decorrente de valores sociais e morais? Tal tema foi recentemente analisado no 6º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado, Rio Grande do Sul.

Pensamos que uma explicação biológica para a corrupção seria uma questão para responder a nível individual. Ou seja, a nível individual seria possível imaginar características biológicas que explicariam uma tendência à corrupção (DNA, etc.). Todavia, por que a nível de nações encontramos resultados tão díspares?

Considerando que a estrutura cerebral e as demais características biológicas não podem ser diferentes nos habitantes de um país como um todo quando comparadas às de outros países, obviamente o problema sai da esfera biológica e entra nas esferas cultural, econômica ou legal.

Podemos inferir que recorrente permissividade social, leis pouco rigorosas, baixo nível de renda e tradições culturais e comportamentais, bem como o modo como essas variáveis interagem entre si, podem levar a maior grau de corrupção e vice-versa.

Finalmente, fica valendo a nossa inferência:

• Sociedades mais honestas tendem a alcançar maiores níveis de desenvolvimento humano.

 
 




















































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